Ela perdeu o chão. Esperava por aquela frase já fazia algum tempo, mas não queria acreditar que ela chegaria tão rápido e daquela forma. Foi como um tiro a queima roupa, sem o menor pudor ou ressentimento. Não houve o menor cuidado com o que ela podia sentir. Foi assim rápido, fácil e indolor. A surpresa e o choro que fluía naturalmente foi engulido e perante ele manteve a pose. Desejou felicidades e ainda afirmou que era o certo. Ele sorriu e sem se importar com mais nada foi embora. Virou as costas como se nada tivesse acontecido e saiu tão rápido quanto tinha entrado. Ela continuou parada ali incrédula, tentando digerir o que tinha sido dito. Chorava com uma compulsão impiedosa e perguntava-se em silêncio por que com ela e por que outra vez com ela. Mais uma desilusão amorosa contabilizada para o caderno. Mais uma vez o coração em cacos. Mais uma vez o mesmo filme. Mas decidiu...aquela seria a última vez!
domingo, 4 de abril de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
Questão de verbo
Criticar é o passatempo preferido de dez em cada dez seres humanos. É impressionante, mas ninguém está satisfeito com nada que o outro faça ou apresente. Há sempre um defeitinho aqui ou um ponto ali que poderia ser melhor, que poderia ser mexido. E nem me venha com histórias de críticas construtivas. Quando a gente quer que alguém ou algo cresça, mude, aprenda, exaltamos os pontos fortes que devem ser mantidos e, como quem não quer nada, sugerimos que pontos fracos sejam eliminados ou consertados da melhor maneira possível. O que quero dizer é simples: existe uma enorme diferença entre o criticar e o apontar, sugerir que não pode ser ignorada. Portanto, da próxima vez que for criticar alguém, repense! O jeito e o verbo certo faz toda a diferença.
*Post para Tiêgo Alencar, grande fã do antigo Tudo de Blog. Se você também era fã do TDB, aguarde novidades no blog A Pseudociência.
No alvo
O amor é um jogo. Um jogo muito perigoso. É fácil se deslumbrar com tal sentimento. Fácil se perder nas promessas e nas palavras vazias de quem não o compreende. Em um jogo tão angular, tão singular, há de se ser perspicaz para fugir das armadilhas e arapucas que podem te fazer cair a qualquer segundo. Como no xadrez tudo precisa ser milimetricamente calculado e a próxima jogada do adversário precisa ser antecipada para evitar a derrota. O amor é um jogo ardiloso. Tanto que a presa que mais gosta é seu principal arquiteto. Quem pensa que sabe brincar com esse sentimento e está salvo do seu ataque, nem imagina que é o alvo certeiro dessa flecha mortal.
domingo, 21 de março de 2010
Vou-me embora...
Manuel Bandeira, em sua beleza poética, disse que iria para Pasárgada. Ela, em sua falta de poesia, disse mesmo que ia para o Alasca. Arrumou as malas e colocou-se na estrada. Caminhou lentamente por entre ruas e avenidas. Conheceu outros rostos, outros hábitos e outras culturas. Se jogou contra o novo mundo de possibilidades que se abriam a sua frente. Entrou de cabeça em jogos de amores, em amizades passageiras e em cenas de um filme repetido. Era só uma fantasia de que as coisas podiam mudar se estivesse longe. Tudo era igual, mas ela não percebia. O simples fato de estar em outro universo dava a ela uma injeção de ânimo e de coragem. Precisou sair de si e ir para bem longe para voltar a si e entender que não há lugar melhor no mundo do que o dela.
Inerte
Quase como um objeto inanimado, sem a menor reação a qualquer tipo de sentimento. Amor, carinho, paixão, raiva, ciúmes, medo, não sentia absolutamente nada! Perdera a adrenalina do sangue correndo pelas veias e a necessidade constante das mudanças. Esquecera o poder de um abraço e a sinapse despertada por um toque. A dor tinha sido tanta que não queria mais lembrar de nada que pudesse fazê-la voltar. Deixou-se intimidar pela inércia. Um lugar calmo e tranquilo onde podia se manter apática ante qualquer envolvimento mais profundo. Escolheu viver assim, escondida de tudo e, sobretudo, dela mesma.
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